quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

BEBÉS: RETINOPATIA DA PREMATURIDADE

Dr. A. Augusto Magalhães


A retinopatia da prematuridade (RDP) é uma doença do desenvolvimento da vascularização da retina que, nos bebés que nascem prematuramente, se encontra incompletamente desenvolvida.


Esse desenvolvimento fora do ambiente uterino pode dar-se de forma anómala levando a alterações capazes de destruir a estrutura do globo ocular e consequentemente à cegueira.

O risco é maior para os nascimentos com menos de 31 semanas de gestação, com peso inferior a 1250 gramas e ainda para os prematuros com maior instabilidade cardio-respiratória no período neo-natal.


A RDP é uma das maiores causas mundiais de cegueira infantil; é a segunda causa nos EUA e a primeira em alguns países com economias emergentes como a China e alguns países da América latina.


As características clínicas, os factores de risco, as etapas evolutivas da doença e a sua história natural são bem conhecidas graças a estudos multicêntricos, como o Cryo-ROP Study e o ETROP. Nestes estudos ficou claramente provado que o tratamento com crioterapia ou laser é eficaz quando administrado no momento correcto. É por isso necessário que todas as crianças de risco sejam rastreadas em tempo útil.




A importância de um programa nacional de rastreio, de registo e de tratamento da doença


Em Portugal nascem cerca de 1020 crianças por ano com muito baixo peso em risco elevado de desenvolver a doença. Destas, apenas 67% são observados por um oftalmologista. A incidência de RDP observada é de 20,4%. Esta cobertura insuficiente deve-se à necessidade de múltiplas observações a cada um destes prematuros e à falta de recursos humanos qualificados nos hospitais com unidades neo-natais.


Com a melhoria dos cuidados neo-natais, a tendência é para um aumento da incidência da RDP em Portugal e para o aparecimento de formas cada vez mais graves, o que levará à necessidade de maiores recursos humanos e técnicos para evitar as consequências da doença. Torna-se, por isso fundamental a implementação de um programa nacional de rastreio, de registo e tratamento da RDP.


As regras para a realização de um rastreio, vigilância e tratamento eficazes estão bem definidas internacionalmente: é obrigatória a observação e vigilância oftalmológica de todas as crianças que nasçam com menos de 32 semanas de gestação e/ou com menos de 1500 gramas. A não observação desta regra pode, para além das questões de ordem ética, colocar problemas de ordem médico – legal aos responsáveis pelas unidades de saúde onde se dão os nascimentos. É por isso necessário criar em Portugal mecanismos capaz de garantir que todos os recém-nascidos sejam diagnosticados e tratados correctamente e em tempo útil.

Os novos sistemas digitais capazes de registar as imagens do fundo ocular e de as enviar através de uma rede informática para centros de observação com oftalmologistas experientes na avaliação e tratamento da doença poderá facilitar muito a criação de um programa nacional de rastreio, registo e tratamento da RDP. A qualidade e a fiabilidade dos últimos modelos com uma câmara de grande ângulo fazem destes equipamentos um precioso auxiliar na economia de tempo e de recursos humanos qualificados em oftalmologistas pediátricos treinados.


Em Portugal, existem cerca de 20 hospitais com unidade de cuidados neo-natais onde nascem mais de 20 prematuros de baixo peso por ano. A instalação de 20 unidades digitais de registo e a criação de centros de observação estrategicamente localizados permitiria a criação de uma rede nacional capaz de garantir a observação de todas as crianças de risco por oftalmologista pediátricos especializados nesta patologia.


A Sociedade Portuguesa de Oftalmologia recomenda a todos os responsáveis por unidades de cuidados neo-natais com crianças de risco a compra deste tipo de equipamentos no sentido de garantir a observação e a decisão por um oftalmologista qualificado.



Dr. A. Augusto Magalhães
Coordenador do Grupo Português de Oftalmologia Pediátrica e Estrabismo da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia




Fonte: Jornal do Centro de Saúde

2 comentários:

waniscleissa disse...

Minha filha tem retinopatia da prematuridade e os especialistas de Florianópolis dizem não ter cura. Preciso saber com urgência um lugar que faça esse tipo de cirurgia. Muito obrigada.

Mariana disse...

Essa doença tem alguma cura? Se pode averiguar em algum centro de oftalmologia em curitiba se existe alguma operação no país...