
«Esta pressão permite ao sangue circular em todo o organismo e perfundir os diversos órgãos, levando até eles o oxigénio e os nutrientes de que necessitam para funcionar», diz o Dr. Manuel Almeida, cardiologista no Hospital de Santa Cruz, acrescentando:
«É importante saber que os valores da pressão devem estar dentro de um determinado intervalo, de forma a que o sangue possa circular adequadamente, sem provocar lesões nas paredes das artérias.»
Nos jovens, as paredes das artérias são elásticas e contêm células musculares, cuja contracção e relaxamento provoca o estreitamento ou o alargamento do diâmetro das artérias, afectando, assim, o valor da pressão do sangue no seu interior.
A elasticidade das artérias é importante, pois, permite acomodar o sangue que o coração ejecta cada vez que se contrai, evitando subidas bruscas e acentuadas da pressão arterial.
De acordo com o cardiologista, «o sistema vascular é dinâmico, por exemplo, quando se faz um esforço, assiste-se a uma redistribuição do fluxo sanguíneo, em especial para os músculos e para o cérebro. Isto ocorre devido à dilatação selectiva de alguns territórios vasculares e à contracção de outros».
«Com o avançar da idade», continua, «as artérias tendem a ficar rígidas e a perder a sua capacidade para dilatar e acomodar de forma adequada as variações no volume de sangue circulante, sobretudo se houver uma sobrecarga hídrica, pelo que a pressão arterial tende a aumentar».
Alguns factores de risco podem ser controlados
A hipertensão arterial, em 90-95% dos casos, não tem causa conhecida. É uma doença crónica sem cura, mas controlável na maioria dos casos. Existem, no entanto, factores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver HTA.
«Alguns destes factores de risco são passíveis de controlo, como a obesidade, o consumo exagerado de sal e de álcool, o sedentarismo e o stress», diz o médico, indicando outros factores que não são controláveis:
«A raça (as pessoas de origem africana desenvolvem mais HTA e de uma forma mais acentuada); a hereditariedade (existe uma tendência para a HTA); idade (em geral quanto mais idosa a pessoa maior a probabilidade de desenvolver HTA).»
Ainda em relação à idade, o médico refere que «os homens tendem a desenvolver tensão alta entre os 35 e os 50 anos, enquanto as mulheres tendem a desenvolvê-la mais tardiamente, após a menopausa».
Hipertensos podem sofrer enfartes ou AVC
De um modo geral, a presença de HTA implica um maior esforço do coração e das artérias. O coração tem de bombear o sangue para as artérias com mais força por períodos longos de tempo e, desta forma, tende a ficar maior. Um coração um pouco maior pode funcionar melhor inicialmente, mas se a dilatação prosseguir e se se tornar demasiada pode prejudicar significativamente o seu funcionamento.
Com a idade, todas as pessoas, independentemente de serem ou não hipertensas, ficam com as artérias mais rígidas e menos elásticas. Mas a presença de HTA acelera e agrava mais este processo.
Desta forma, segundo explica Manuel Almeida, «as paredes arteriais tendem a ficar mais frágeis, aumentando o risco de “tromboses cerebrais” ou de enfartes cardíacos. Pode igualmente danificar os rins e a visão. Além disso, os doentes hipertensos têm três vezes mais probabilidades de desenvolver doença das coronárias, seis vezes mais de desenvolver insuficiência cardíaca e sete vezes mais de terem um acidente vascular cerebral».
O aumento sustentado da pressão arterial tem, ainda, outras consequências ao nível do coração.
«Por um lado, o aumento do trabalho efectuado pelo músculo cardíaco provoca a sua hipertrofia (o seu desenvolvimento), aumentando as suas necessidades energéticas e tornando-o menos resistente às obstruções ao fluxo sanguíneo no interior das artérias coronárias, consequência do desenvolvimento das placas ateroscleróticas. Esta situação pode condicionar o aparecimento da angina de peito, de enfarte do miocárdio e de insuficiência cardíaca», salienta Manuel Almeida, prosseguindo:
«Por outro lado, a tensão arterial alta faz parte de uma constelação de factores que se interrelacionam, ou seja, a obesidade favorece a subida da tensão arterial, mas também está associada à dislipidemia (colesterol elevado), à diabetes e, eventualmente, ao tabagismo e ao stress. Esta associação de factores de risco que tende a ocorrer em conjunto favorece sobremaneira o agravamento da doença aterosclerótica e das suas complicações cardiovasculares e cerebrovasculares.»
O que se pode fazer?
A maioria dos tratamentos envolve uma dieta, exercício físico e a toma de medicamentos de uma forma regular.
Dado que muitas pessoas com HTA são obesas beneficiam de uma dieta que proporcione uma redução do peso, o que, a acontecer, pode baixar de imediato os valores da tensão arterial. A moderação na ingestão de álcool pode ajudar no controlo do peso e da tensão arterial. Nalgumas pessoas a redução da ingestão de sal pode baixar os valores da tensão arterial.
«Alguns doentes irão necessitar de medicação regular para o controlo eficaz dos valores da tensão arterial. O tratamento é relativamente simples, na maior parte dos casos, podendo, no entanto, ser moroso e requerer alguma paciência por parte dos doentes e médicos», afirma o cardiologista, concluindo:
«A toma de medicamentos pode ser desagradável e ter alguns efeitos secundários. No entanto, é sempre melhor que sofrer uma trombose cerebral ou um enfarte do miocárdio. A maioria dos doentes que controle a sua tensão arterial vive uma vida longa e saudável. É, ainda, importante não esquecer que a velhice se prepara na juventude com estilos de vida e hábitos saudáveis.»
Como evitar os malefícios
da hipertensão?
Existem algumas coisas que os doentes podem fazer para colaborarem no seu tratamento:
1. Manter uma ligação estreita e regular com o médico. Irá ajudar a monitorizar e controlar a tensão arterial.
2. Tomar a medicação prescrita de acordo com as orientações recebidas. Se não se sentir bem com a medicação, deve informar o seu médico de forma a ajustar a medicação. Não suspender a medicação sem informar o médico.
3. Fazer um esforço para controlar o peso, seguir um regime alimentar
saudável e praticar exercício físico com regularidade (30 a 40 minutos por dia).
Sal, um dos principais
culpados
O consumo exagerado de sal na alimentação do dia-a-dia é um dos factores implicados na origem da hipertensão arterial, que pode ter especial relevo na população portuguesa, cujo consumo de sal diário é muito superior à média europeia.
«Apesar da muita informação vinculada em diversas campanhas, nomeadamente na comunicação social, pensa-se que o consumo de sal diário continua a ser muito elevado. Outros não menos importantes são a obesidade, provavelmente associada ao consumo de sal, à diabetes e ao sedentarismo», comenta Manuel Almeida.
Tensão arterial
A hipertensão arterial, de um modo geral, não apresenta sintomas. Desta forma, muitas pessoas são hipertensas sem o saberem, razão pela qual se trata de uma doença muito perigosa. A forma mais prática de a diagnosticar é medindo-a, por um profissional de saúde, de uma forma regular ao longa da vida.
«Os vulgares aparelhos de medição disponíveis e usados habitualmente não medem a pressão arterial directa, para isso seria necessário introduzi-los dentro das artérias (como se pode fazer nos hospitais). O que medem é a tensão na parede das artérias produzida pela pressão do sangue no seu interior, daí o termo tensão arterial», explica o Dr. Manuel Almeida.
A pressão arterial sobe durante a contracção ou batimento do coração (tensão máxima ou tensão sistólica) e desce durante o seu relaxamento entre batimentos (tensão mínima ou tensão diastólica). Daí que se meçam habitualmente dois valores para a pressão, por exemplo 120/70 mmHg, sendo o 120 a tensão máxima e 70 a tensão mínima em milímetros de mercúrio. Assim, a pressão arterial varia com os batimentos cardíacos, com a postura corporal, com o sono e com o exercício.
Conforme indica o especialista, «a tensão arterial num adulto saudável deve ser inferior a 140/85 mmHg. Nos diabéticos, nos doentes com insuficiência cardíaca e disfunção renal ela poderá ter de ser inferior a 130/85 mmHg. Se a tensão arterial ultrapassar ou se se mantiver nestes valores, então estamos na presença de uma hipertensão arterial».
Fonte: Medicina & Saúde®
2 comentários:
porfavor da e uma vez que
presao sobe ela nao control amais?
tomo es remedios regularmente
fasso exercisios caminhada co mandado os
medicos
to certa¿
Eu estava em duvida pOrkêr meu pai é impertenço i o ministrO de saude falou q hipertençaÕ naum éh doença Cronica! mas acabei de tiraR minha duvida
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