domingo, 4 de novembro de 2007

CRIANÇA QUE RESSONA NÃO DORME BEM » APNEIA DO SONO, PROBLEMA RESPIRATÓRIO PODE AFECTAR O CRESCIMENTO

David Carvalho
A apneia do sono perfila-se como o problema mais comum quando falamos em perturbações respiratórias obstrutivas do sono. Sobretudo em crianças, os níveis de preocupação redobram por parte dos pais e educadores que lidam directamente com as consequências inerentes a esta doença. O assunto torna-se ainda mais premente quando está em causa o desenvolvimento físico e psicológico da criança. Embora preocupados com as manifestações, muitos pais não se apercebem da sua causa.

Esta patologia assume características bem vincadas, tal como sustenta a Dr.ª Helena Estêvão, pediatra e responsável pelo Laboratório do Sono e Ventilação do Hospital Pediátrico de Coimbra: «O quadro caracteriza-se por dificuldade na respiração durante o sono, com ressonar mais ou menos contínuo, que pode ser interrompido por pausas de vários segundos. Estas interrupções, frequentemente acompanhadas de descida da oxigenação sanguínea, podem ocorrer apenas quando a criança está constipada ou, pelo contrário, diariamente em vários episódios por noite.» O esforço despendido pela criança na tentativa de recuperar a respiração é tão intenso que leva a um gasto significativo de calorias. Em idades mais tenras, o crescimento ponderal pode estar comprometido.
O compromisso respiratório implica também que a criança surja cansada durante o dia, como se não tivesse dormido.
Helena Estêvão explica a este propósito que, «para restabelecer a normalidade do ciclo respiratório, há como que uma tendência para superficializar o sono».
O resultado de tudo isto? Noites agitadas sem um sono reparador induzem irritabilidade nas crianças mais pequenas e nas mais velhas dificuldades na aprendizagem escolar e desconcentração, podendo conduzir a situações limites, como dormir sobre a carteira da sala de aula.
No entanto, as sequelas não ficam por aqui. A pediatra adverte para a eventualidade de, em situações mais graves, surgirem complicações cardíacas.
As causas apontadas com maior frequência são o aumento de volume das amígdalas e dos adenóides (tecido linfóide), a que se associam habitualmente outros factores, nomeadamente, determinadas características da conformação facial, que poderão ter um carácter hereditário. Nem todas as crianças com hipertrofia das amígdalas e dos adenóides ressonam ou têm apneia obstrutiva do sono. No entanto, se àquela se associar uma estreiteza das vias aéreas (por face alongada e estreitada ou queixo recuado com retroposicionamento da língua), o fluxo respiratório é efectuado com maior dificuldade.
Na mesma perspectiva, os quadros de rinite alérgica também são bloqueantes, por via da inflamação que produzem nas vias respiratórias.

Sintomas à noite... e de dia
Algo pode estar mal quando as crianças ressonam durante a noite ou quando dormem de boca aberta. Isso significa que o ar pode não estar a entrar correctamente pelo nariz ou então que não passa mesmo por ali. Não vale a pena arranjar explicações avulsas, do estilo «ressona porque sai ao pai» ou «lá em casa toda a gente ressona».
O sono agitado, as posições bizarras, como dormir de cócoras, o excesso de suor ou «acidentes» urinários, tudo isto responde pelos sintomas associados à apneia do sono.
O ressonar ocorre em cerca de 9% das crianças, mas destas apenas um quarto tem apneia do sono. Os sintomas são mais aparatosos durante o sono porque nesta altura há um maior relaxamento dos músculos das vias aéreas facilitando assim a sua obstrução.
Mas, durante o dia a atenção dos pais e educadores deve virar-se, tal como sublinha esta médica, para «respiração de boca aberta, secreções nasais frequentes, irrequietude e engasgamentos frequentes durante a refeição (o nariz obstruído dificulta a coordenação respiração-deglutição) nas crianças mais pequenas; cansaço e dificuldade de concentração nos mais velhos».
As causas da apneia do sono são diferentes, os sintomas que a revelam também variam de criança para criança, mas há uma certeza: a atenção a estes pormenores e a constatação de algum deles tornam sensata a consulta de um especialista.
Aí vai ser definido o tratamento específico, que passa frequentemente por uma cirurgia simples à garganta e aos adenóides. Há, nalguns casos, a hipótese mais conservadora de utilização de alguns medicamentos que ajudam a reverter os processos inflamatórios que estejam na origem ou que favoreçam a patologia respiratória durante o sono.
No entanto, Helena Estêvão também admite que, «entre os 7 e os 10 anos de idade, há a possibilidade de redução espontânea do volume do tecido linfóide concomitante com um aumento relativo do calibre das vias aéreas». Estas alterações criam condições para uma melhoria do fluxo respiratório.
A utilização de um apoio da ventilação através de uma máscara nasal pode ser indicada se a intervenção cirúrgica não constituir uma opção válida.
Bem mais remota, mas real, é a hipótese de uma traqueostomia, assegura a especialista, se a obstrução for muito grave e numa situação extrema em que a criança não consiga respirar de todo.

4 comentários:

Marilia Miranda disse...

adorei saber sobre o assunto mais gostaria de sabaer mais, pois tenho um filho,com mais ou menos os mesmos sintomas, ele tem 6 meses fizemos uma consulta de otorrino pediatra e o medico disse que ele tem uma obstrucao das vias superiores e sera submetido a uma intervencao cirurgica.
ele nasceu com o queixo muito pequeno

pipa disse...

Era mesmo isto que precisava de saber.
Vou ja marcar uma consulta ao meu filho.

sophia lourenço disse...

a minha filha ronca imenso e tem vezes que fica 5 seg. sem respirar durante osono ou seja 5 seg. agora faz uma pausa 5seg. depois

paula disse...

ola sophia lourenço.
o meu filho esta com os mesmos sintomas que a sua filha.
Ela teve que fazer algum tratamento especifico?
obrigada